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  • Foto do escritorEugênio Rego

O Cine Rex e o abandono do centro

A última vez que entrei no prédio do Cine Rex, no centro de Teresina, foi quando ele virou uma boate - o Rex Club. Apesar do não ter ligação com a franquia internacional de clubes noturnos, o empreendimento foi uma das poucas e infrutíferas tentativas de ressuscitar um dos pilares do corredor histórico formado ainda pelo Theatro 4 de Setembro, a Escola de Dança do Estado Lenir Argento e a própria Praça Pedro II.


Para minha felicidade, o interior do prédio não havia sido modificado para receber gente, DJs, bebidas e bandas. Antes de aproveitar a festa, não me contive em investigar o local onde assisti grandes filmes como "Entrevista Com O Vampiro", uma aplaudida sessão de "Advogado do Diabo", "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel", "Um Lugar Chamado Notting Hill", a estreia de "Cipriano" (foto), "Lua de Cristal" (Sim! Enfrentei fila quilométrica segurando um quilo de alimento não perecível para ver Xuxa e as Paquitas), "Os Outros", tantos outros filmes...

O Cine Rex foi o último remanescente do meteoro que destruiu os cinemas de rua, mas não aguentou a debandada do público para as salas de exibição ultramodernas em shoppings centers. Junte-se a isso o fechamento paulatino de bares, diminuição progressiva de atividades culturais e outras opções de entretenimento no centro da capital do Piauí - mais especificamente no entorno e no próprio Corredor Cultural.


A recente preocupação momentânea com a preservação do prédio histórico de oito décadas deu-se em forma de mais uma nota triste: houve fortes boatos de que o velho e desolado Cine Rex seria transformado em albergue para moradores de rua.


Autoridades públicas e privadas emitiram desmentidos e novas promessas de que o velho tiranossauro continuará de pé e objeto de cultura. Também não faltou renovação de mais promessas do resgate do edifício que hoje não passa de um símbolo da falta de políticas culturais que façam o grande público voltar a frequentar aquela que já foi uma das regiões mais badaladas da capital.


Só vai ao centro de Teresina quem tem "negócio". Durante o dia, ruas inchadas de carros, transporte público desestimulante, insegurança e enfraquecimento do comércio físico espantam a visitação. À noite, a região é um deserto escuro e tenebroso. Assistir a um espetáculo no Theatro ou até mesmo sentar na praça é um ato de bravura.


Não é por falta de vontade que o centro de Teresina e seus aparelhos culturais estão abandonados. Há muitos projetos que miram a revitalização: o Museu da Imagem e do Som que funcionaria no prédio da antiga Câmara de Vereadores e um centro cultural no espigão do INPS na Praça João Luiz Ferreira são algumas das iniciativas de revitalização do centro que nunca saíram do papel. À lista junta-se agora a proposta de desapropriação de criação de uma escola de audiovisual no Rex. A conferir...


Há alguns anos sugeri a um figurão da Fundação Cultural Monsenhor Chaves tentar levar o carnaval para a região. A ideia é convidar os blocos de rua da capital a desfilar pelas principais vias do centro da capital em dias alternados e encontrando-se na Praça Pedro II. Fui solenemente ignorado.


É claro que ainda há resistência no abandono. Aqui e acolá, o Corredor Cutural abriga um evento ou outro que desperta o interesse passageiro de públicos mais específicos. É muito pouco. Deve haver um cardápio mais amplo que desperte o interesse de mais pessoas para curtir a região e, mais importante, tornar isso um hábito.


O abandono do Cine Rex, para além do aumento das alternativas de consumo de produtos culturais, reflete um problema maior: o desinteresse das autoridades e, consequentemente do público, pelo centro histórico da capital do Estado.


Só reformar e recuperar prédios não é o suficiente. É preciso usar a estratégia dos shopping centers cujo cliente, entre uma vitrine e outra, um lanche rápido ou um chopp, pode até assistir a um filme, conferir uma exposição de arte ou conferir um show musical.



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