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  • Foto do escritorEugênio Rego

Jesus iraniano viraliza na Netflix

"Messias" (Messiah) é de longe uma das séries mais interessantes e polêmicas da Netflix. Treta e religião, aliás, tem sido uma aposta recorrente no cardápio de lançamentos da gigante do streaming.


Não bastasse contar a saga de um jovem iraniano cabeludo, barbudo e desconhecido cujas pregações em cidades no Oriente Médio viralisam na internet, os dez episódios da primeira temporada de "Messias" foram liberados um pouco antes do início da tensão entre Estados Unidos e os Aiatolás Atômicos. A mensagem do jovem, de quem não se sabe o nome até metade dos capítulos, é contundente: somos todos um só povo guiados por Deus.



É claro que a figura intrigante que se levanta no deserto chama a atenção da CIA que inicia o esquadrinhamento da vida e obra do desconhecido que mostra serviço sem nunca dizer exatamente a que veio. Seria esta a Segunda Vinda? Estaria o mundo preparado para o retorno de Jesus Cristo? Por que escolher um país muçulmano, inimigo eternos do povo judeu, para retornar?


Acompanhando par e passo de todas as ações do tal Messias (Mehdi Dehbi), está a agente federal Eva Geller (Michelle Monaghan, provando que nasceu para fazer a mulher dura na queda que esconde múltiplos traumas e dúvidas). É ela quem segura a peteca ao mover uma cruzada quase pessoal para desmascarar o até então aclamado novo Filho do Homem.


Para além do roteiro polêmico de Michael Petroni, "Messias" coloca vários temas espinhosos em perspectiva com maestria: religião, fé, imigração, refugiados, geopolítica, terrorismo e extremismos de toda sorte.


O elenco é multinacional com atores falando em árabe e hebraico, além do inglês. Preste atenção em Aviram (o francês Tomer Sisley), investigador de agência secreta israelense tão sequelado e descrente quanto à colega americana e com vários esqueletos no armário que serão expostos no decorrer da trama quando "Jesus" lhe põe o dedo nas feridas.


O espectador de "Messias" é convidado e caminhar numa linha fina que oscila entre dúvida e (auto) convencimento. A estratégia do roterista funciona: não tenho resistência para maratonar séries, mas fechei os dez episódios em três dias - muito mais pela vontade de poupar os capítulos com gosto de livro que não queremos acabar logo.


Outra ideia do diretor Petroni é mergulhar na vida do tal Messias gradualmente por meio das investigações de Eva. Junto com a investigadora da Cia, vemos nossa confiança no Messias aumentar e diminuir ao sabor das descobertas. Algumas bem incômodas e indigestas. Mas entre citações da Bíblia e emulações de passagens do livro sagrado, vamos ficando mais vez mais intrigados.


Entre supostos milagres, muita tensão e ironias à sociedade do consumo (Jesus usa Adidas e Nike em algumas cenas) o que nos resta é nos agarrar com o rosário de dúvidas sobre quem é de fato o rapaz de olhar doce e firme que abala o mundo pregando no deserto. No capítulo final da temporada de estreia há um gancho fortíssimo para a continuação. Depois de ver "Messias" o que tenho a dizer é: Jesus, nunca te critiquei.

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