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  • Foto do escritorEugênio Rego

Guia do amor para gente grande

Amor contém solidão. Amar não livra ninguém da solidão. Quando pedimos alguma coisa, nunca conseguimos alcançar exatamente o que desejamos porque aquilo que coincidiria exatamente com o desejo não existe. Nós inventamos a pessoa amada. A infelicidade é o que torna a felicidade possível. Amar é um exercício trabalhoso e nem todos estão dispostos a isso.


É com frases duras e diretas como essas que a psicanalista Ana Suy nos dá vários tapas na cara usando as páginas do seu pequeno, interessante e necessário livro "A gente mira no amor acerta na solidão" (Paidós, 2022, 8ª edição).


"Se a solidão costuma ser um problema não é porque ficamos sozinhos de fato, mas porque podemos ficar mal acompanhados por nós mesmos."

Em tom de conversa, a autora nos apresenta o resumo da tese de doutorado fruto de pesquisa sobre o mais insondável dos sentimentos humanos: o amor. Nos 23 pequenos capítulos ela alinhava teorias de Freud e Lacan com suas próprias descobertas para produzir um texto leve, extremamente acessível e reflexivo.


"Volta e meia alguém me pergunta por que eu escolhi estudar o tema do amor, e essa pergunta absolutamente não me faz sentido algum. Afinal, que outro tema estudaria?", questiona a psicanalista na apresentação da publicação cujo conteúdo a autora resume como um "bem bolado" de sua experiência clínica, na pesquisa científica, autoanálise, conversas informais e até mesmo na interação com seguidores no Facebook e Instagram.


Que fique claro que não se trata de um livro de auto ajuda, muito menos mais um volume que pretende explicar psicanálise para quem não tem tempo. Embora pequeno e com linguagem extremamente fácil, mas não simplista, o livro de Suy é viciante justamente porque nos coloca numa conversa profunda, franca e esclarecedora sobre amor, paixão e solidão.


Também não se trata de um livro técnico para a aprender a amar ou ensinar como ter um relacionamento feliz e duradouro. Ana Suy nos acolhe e faz sentir confortáveis para nos confrontar com verdades amargas e reflexões profundas sobre porque nos apaixonamos, amamos, abandonamos e somos abandonados e recomeçamos ciclo inúmeras vezes vida à fora. A resposta, sugere a autora, é simples: não vivemos sem desejar nem criar expectativas.


Pior: somos seres em eterna busca de nossa metade - algo que, segundo a psicanálise - simplesmente não existe. Ah! E tudo isso começa na infância porque, afirma a autora, é nessa fase da vida que experimentamos o amor perfeito e único dos nossos pais que servirá de modelo para o resto da vida; sem sucesso, claro.


Sugiro ao leitor que leia "A gente mira no amor e acerta na solidão" com destacador de texto na mão porque cada parágrafo é eita atrás de eita por conta das reflexões e "tapas na cara" provocados pela leitura que até no incentiva a fazer uma certa "higiene sentimental". Leitura mais que recomendada em tempos de amores líquidos e ralos.


Rita Lee e Arnaldo Jabor dizem que amor é sorte. O livro de Ana Suy é como aquele bolão da Mega Sena - aumenta a possibilidade de ganhar num jogo extremamente imprevisível. O amor é também uma loteria.


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1 comentario


Sergio Guerra
Sergio Guerra
10 mar 2023

Eita... Eugênio, rsrs. A fila tá um pouco grande, mas se é como dizes, talvez Ana Suy fure a fila.

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